De volta à Linha do Vale do Tâmega

De tempos a tempos, reacende-se a discussão em torno da Linha do Vale do Tâmega, um dos ramais da rede de ferrovia criada há cerca de um século atrás.

Obra que não foi concluída, na altura, tendo terminado na estação de Arco de Baúlhe, quando já se previa uma ligação a Trás-os-Montes (Chaves e Vila Pouca de Aguiar), bem como para o litoral, com ligação a Fafe e Guimarães.

Há cerca de quarenta anos, desativaram a linha, com a pretensa obrigação de construir uma alternativa rodoviária, que reestruturaria a EN210, que liga o Arco de Baúlhe a Amarante, e fazendo a ligação à rede de autoestradas, nomeadamente ao nó de Basto/A7 e ao de Amarante/A4.

Tal como no princípio, as obras não foram realizadas e continuamos sem a Linha ferroviária e sem a remodelação da EN210, que vai decorrendo às pinguinhas.

Depois de muitos anos deixada ao abandono, a linha ferroviária foi transformada numa ciclopista ou ecopista, que hoje é percorrida por inúmeros utilizadores da região e de turistas.

Em tempos houve uma proposta de um grupo internacional para o aproveitamento turístico da ferrovia.

A preponderância do público sobre o privado, fechou a porta à análise e ao eventual acordo para um projeto que parecia ter condições de êxito, com grande impacto financeiro e turístico para a região e em particular para o nosso concelho.

Recorrentemente ouvimos falar em novos projetos de recuperação da linha ferroviária.

Nos últimos dias, o assunto voltou à ribalta.

Desconheço os contornos das propostas, dos interesses manifestados, enfim do que se pretende.

Do meu ponto de vista, nada de bom auguro se de um projeto público se possa tratar. Não há dinheiro para financiar o que quer que seja, muito menos para o sustentar no futuro. E mesmo o que há deve ser investido em coisas que mais falta fazem ao desenvolvimento e à vida das pessoas.

Parece-me que o interesse da linha férrea para o contexto de meio de transporte, de pessoas e mercadorias, na região está completamente comprometido.

Para fins turísticos, julgo que haveria interesse, mas o custo a suportar seria incomportável.

E nova hesitação nesta fase do projeto, provavelmente seria o pretexto para não acabar o que já devia estar terminado: as obras na EN210.

Neste momento, acho que as autarquias da região deveriam exigir a conclusão as obras.

E particularmente a de Cabeceiras, pois é aquela que está arredada dos seus benefícios, já que Celorico, há alguns anos, já viu concluída a ligação a Amarante e Mondim acabou de ver inaugurado também o seu acesso.

Da região de Basto, ficam para trás Cabeceiras e Ribeira de Pena.

Até quando?

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