O Futuro, voltar ao Passado

Já lá vão muitos anos que o comércio e os serviços tinham um horário de funcionamento repartido por cinco ou seis dias por semana, em horário considerado normal, isto é durante o dia, excluindo o período noturno.
Depois, veio a moda das grandes superfícies, onde há comércio, serviços, restauração, diversão, o que levou, pelo peso dos grandes interesses, a que os horários sejam quase, como se costuma dizer, à vontade do freguês.
De manhã, às vezes bem cedo, até à noite, por vezes bem tarde, as catedrais do consumo estão ao dispor e promovem o consumismo, sete dias por semana, em todas as semanas do ano.
Há um ano a esta parte, fruto dos diferentes confinamentos decretados, o comércio, os serviços e muitos outros setores da economia viram ajustados os seus horários, incluindo as grandes superfícies.
Agora que parece ter lugar o desconfinamento, mesmo que às pinguinhas, começamos a ser alertados para o alargamento dos horários destes espaços comerciais.
Depois de tudo o que passámos, não seria uma altura propícia para restringir os horários de funcionamento destes espaços comerciais?
Promover hábitos de menor consumismo, promover estilos de vida mais saudáveis, evitar a concentração de pessoas em espaços fechados, respeitar os cinco/seis dias úteis semanais.
Bem sei que agora todos estão ansiosos por retomar a “vida normal”, potenciar os negócios e recuperar a economia.
Mas isso não será preparar o futuro, voltando ao passado recente?
Não iremos desembocar em idêntica situação no futuro?
Mudar implica fazer diferente. Pensar diferente. Viver diferente.
Depois destes confinamentos, parece que seria uma boa oportunidade para aproveitar a ocasião e já que mudamos, aproveitar a mudança.
Mas não vejo coragem, em quem tem de decidir, para isso.

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